MIREMPET CELEBRA 15 ANOS DO CÓDIGO MINEIRO
Quinze anos depois da sua aprovação, o Código Mineiro continua a ser o pilar da governação dos recursos minerais em Angola, mas precisa de ser avaliado à luz das profundas transformações do sector a nível mundial. Foi esta a mensagem central da intervenção do Ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, na cerimónia alusiva aos 15 Anos do Código Mineiro, realizada esta quarta-feira, 23 de Setembro, no MIREMPET.
Perante antigos responsáveis do sector, com destaque para Francisco Queiroz, Coordenador da Comissão Técnica que elaborou o Código de 2011, membros do Executivo, empresas, academia e sociedade civil, o ministro afirmou que a celebração tem valor institucional, mas deve ter, sobretudo, utilidade política e económica.
O governante lembrou que o mundo de 2011 é substancialmente diferente do actual. A transição energética, a procura crescente de minerais para as redes eléctricas, energias renováveis e tecnologias digitais, bem como as exigências cada vez maiores de transparência e protecção ambiental, criam novas oportunidades para Angola. Um país que, sublinhou, é hoje uma economia mineira mais diversificada.
"Além dos diamantes e das rochas ornamentais, o País produz ouro, manganês, quartzo, silício metalúrgico, ferro e ferro-gusa, iniciou a exploração de cobre e detém reservas comprovadas de nióbio, terras raras e fosfatos, cuja produção deverá iniciar em breve", referiu.
Para Diamantino Azevedo, o desafio já não é apenas extrair. “Possuir recursos não é o mesmo que criar riqueza”, afirmou. A estratégia do Executivo é avançar para a transformação local, com objectivos claros: consolidar a produção de ferro e progredir para o aço, transformar manganês em ferro-ligas, fosfatos em fertilizantes, quartzo e silício em polissilício, além de potenciar a lapidação de diamantes, a refinação de ouro e novas indústrias a partir do cobre.
É neste contexto que surge a necessidade de rever o Código Mineiro. O Ministro esclareceu que rever não é apagar o trabalho feito, mas demonstrar a maturidade da lei. Para garantir uma decisão baseada em evidências, o MIREMPET vai lançar um estudo abrangente sobre a competitividade do sector mineiro, que analisará o Código e toda a legislação complementar, bem como o regime fiscal, o licenciamento, o acesso a financiamento e a disponibilidade de energia, água, transportes e logística.
A futura revisão assentará em princípios claros: segurança jurídica para quem investe, simplificação de procedimentos com recurso ao digital, regras rigorosas e proporcionais para a mineração semi-industrial, protecção ambiental durante todo o ciclo de vida da mina e centralidade das comunidades, com conteúdo local gerador de capacidade nacional.
“O momento de preparar os próximos quinze anos é agora”, concluiu o ministro, reafirmando o compromisso com um sector diversificado, competitivo, transparente e orientado para a industrialização de Angola, para que deixe de ser apenas uma ilha exportadora e se torne motor da diversificação da economia nacional.